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Relatório Nº1

Overview Sobre Educação Angolana


No dia 23 de abril de 2017 (Domingo) teve lugar na residência universitária de stª Tecla no bloco B-1º andar a segunda reunião do Fórum Angolano de Desenvolvimento Económico e Social, em que participaram os membros, Ivani Josimara Luís, Lendina de Castro Fernandes, Marcos Luísa Fernando e Príncipe Zanguilo. Neste segundo encontro, o grupo trouxe à mesa a questão da Educação em Angola: os problemas da educação, assim como possíveis soluções.

De acordo com o Ministério da Educação de Angola, desde a independência do país em 1975, o Sistema de Educação já teve três reformas educativas. Estas reformas implementadas ajudaram a melhorar o ensino.

Mas ainda existe um grande défice em termos quantitativos como no número de escolas (incluindo as universidades), e qualitativos como do capital humano (professores) e das infraestruturas das escolas.
Angola é um país com apenas 42 anos de independência e constituído por 18 províncias, em que algumas regiões ainda não têm acesso a educação ou não estão abrangidas pelo ensino superior, isto faz com que a população se desloque para outras províncias para que consiga prosseguir com a sua formação ou desista do ensino por não conseguir arcar com os custos associados à sua deslocação.

No entendimento do grupo, as possíveis soluções para estes problemas, passam por se implementar estratégias que permitam investir mais no capital humano como na capacitação dos professores, e na melhoria das infraestruturas, isto é, sugerimos que se criem mais escolas em todas as províncias. Mas numa primeira fase nas cidades com maior densidade populacional, e no caso particular do ensino superior, deve existir pelo menos uma universidade em cada província.

Ainda na análise do ensino superior, existe o problema da fragmentação dos cursos lecionado no mesmo, por um lado existem poucas universidades que oferecem cursos técnicos e qualificados, fazendo com que haja uma maior demanda em cursos mais sociais e humanas, e por outro lado a centralização de cursos especializados em determinada região do país. Muitas das vezes os estudantes encontram alguma dificuldade em escolher um curso que realmente seja do seu interesse.

Como resposta, deve-se promover a criação ou a entrada de mais universidades técnicas-qualificadas, e a descentralização de cursos especializados, isto é, a implementação de cursos especializados em províncias onde realmente exista potencial de exploração para investigação por parte dos professores assim como para exploração prática dos estudantes. Também é importante criar-se um programa de esclarecimento anual para os estudantes ao longo da sua formação no 2º ciclo do ensino secundário através de profissionais qualificados.

"Nós acreditamos que quadros técnicos qualificados são um fator crucial para o desenvolvimento de qualquer sociedade"

Olhando o ensino superior a partir de um ângulo diferente, observamos a falta de núcleos de investigação (são poucas as universidades onde existe um núcleo de investigação, como é o caso da Universidade Católica que é a única entidade de ensino superior com o núcleo de investigação, que é de conhecimento do grupo), vemos isto como um problema, porque acreditamos que os conhecimentos gerados pelas universidades devem fazer parte das decisões do país. Para isso, sugerimos que os professores universitários deveriam ter a investigação como uma condição para poderem dar aulas e vice-versa, permitindo assim que muito dos problemas que as famílias, as empresas e o Estado enfrentam possam encontrar soluções nos conhecimentos gerado pelos mesmos.

Também é importante que exista parcerias entre as universidades e as empresas de forma a promover-se programas de estágios, formação, e apresentação de empresas aos estudantes, que permitirão dar uma visão mais clara do funcionamento e da inserção dos estudantes no mercado de trabalho.

Quanto ao ensino primário, para além dos problemas já apresentados, temos a falta de material escolar, bem como a inexistência de uma base alimentar. Destacamos como problemas porque o nível de pobreza do país ainda é elevado (40.5% em 2006), e varias são as crianças que vão a escola sem tomarem uma refeição saudável, comprometendo sua a capacidade de aprendizagem.

Por isso acreditamos que a implementação de uma merenda escolar, bem como o fornecimento de materiais escolares gratuito seriam medidas importantes para o desempenho dos alunos.
Temos conhecimento de caso de crianças que não entraram no ensino porque não tinham completado 5 anos no momento da matrícula, mesmo sabendo que o completariam no mesmo ano em que começariam a estudar[1], isto retarda a entrada dos alunos no ensino.

Por isso, propomos a inclusão do ensino pré-escolar. Isto é, necessitamos de um investimento brutal no ensino pré-escolar para as crianças com idade entre 1 e 5 anos de idade, de forma a preparar as mesmas para o ensino primário.

Quanto ao 1º ciclo do ensino secundário, não foi discutida nenhuma questão de forma particular, senão a criação de políticas de incentivo, como é o caso do 9º ano obrigatório, que é uma medida positiva que tende a aumentar escolaridade média do país. Entretanto esperamos que esta escolaridade obrigatória seja ajustada num período muito breve, passando mais tarde para o 12º ou 13º ano, pelo facto de o país ser um país jovem, o que permitiria reduzir o número de jovens iletrados.
Acreditamos também que se deve reformular as medidas de incentivos aos alunos do 2º ciclo do ensino secundário, pelo fato de em algumas escolas os alunos ficarem um ano em casa por reprovação em uma disciplina, esta política é ineficiente porque pode incentivar ao abandono da escolaridade.
Em termos económico e social, todas as medidas aqui sugeridas ajudariam resolver não só os problemas a nível da educação, mas também a nível da desigualdade salarial, desigualdade social, da discriminação, assim como do desenvolvimento do país.

Importa salientar que, a falta e dados, ou a não disponibilização de base de dados sobre educação, dificulta a nossa análise sobre a qualidade de educação em Angola. Pois, com essa informação conseguiríamos perceber e responder de forma mais clara as questões abordadas, bem como o peso das despesas em educação no total das despesas do governo, no PIB, e também perceber o peso das despesas dos diferentes níveis de educação no total da educação. Essa análise seria muito importantes para avaliar o nível de investimento na educação.
Ainda como sugestão, é de grande importância a construção de uma base de dados da educação, (para além das variáveis citadas acima), que incluísse informações como, o nível médio de escolaridade da população; o número de iletrados (falámos do número de iletrados porque entendemos que a taxa de analfabetismo serve apenas de medida de comparação com outros países, o que implica ser pouco útil para identificar a fonte dos problemas); o número de alunos no ensino primário; o número de alunos no 1º ciclo do ensino secundário; o número de alunos no 2º ciclo do ensino secundário (12º); o número de alunos no 2º ciclo do ensino secundário (13º); número total de alunos no ensino superior, e a sua repartição por grau e cursos.

Uma vez que Angola é um país jovem, o grupo sugere que estes dados componham uma repartição por intervalo de idade, género, por região e por província. Deve-se ainda incluir, na mesma base de dados, as taxas de abandono escolar e repetição nos diferentes níveis de escolaridade de forma a identificar as causas e estudar soluções.

De forma geral, a educação angolana ainda tem muito caminho a percorrer. Entretanto, a corrida tem de ser feita traçando objetivos de longo prazo ao mesmo tempo que se cumprem os de curto prazo.

Este relatório serve apenas como um ponto de partida da nossa análise sobre a qualidade da Educação em Angola, pois, pretendemos fazer uma análise mais aprofundada sobre as matérias aqui mencionadas.


                                                                Academia for Student
          Braga, aos 11 de Maio de 2017




[1]“Poderá existir uma explicação por parte do Ministério da Educação quanto a esta questão”.

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