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Numbers Never Lie




“Numbers never lie” traduzido para português, “números nunca mentem”. Esta é uma das passagens mais importantes na minha religião. Eu acredito que os números só nos mentem se nós deixarmos que eles nos mintam. Isto parece uma frase muito cliché, porque existem por aí muitos números que são maquinados, e apresentados por diferentes entidades.
A afirmação continua a ser válida?
Óbvio que sim.

Como assim?
Quando nos são apresentados números que parecem não serem verdadeiros, podemos em comparação com a realidade perceber o que os números revelam. Revelam que estamos a ser enganados. Os números não só nunca mentem, como também nos dizem que estamos a ser enganados.
Os números vão sempre nos ajudar a perceber se os tomadores de decisão percebem realmente tudo o que decidem.

Em termos de desenvolvimento, os números têm um papel fundamental na avaliação das políticas aplicadas pelos governos, em todas a as áreas.
Num olhar muito superficial sobre tudo o que os números nos poderiam dizer sobre a Educação em Angola, começava com duas perguntas que julgo serem bastante importante para avaliar se os tomadores de decisão dentro da máquina do Estado percebem realmente o que decidem sobre a Educação.

1-      Como é medida a eficiência do investimento na Educação em Angola?
Inputs
Esta abordagem leva diretamente à consideração dos valores absoluto ou relativo da Educação, no OGE (Orçamento Geral do Estado). Particularmente, acredito que esta não é a melhor abordagem para quem está no caminho para o desenvolvimento.
Outputs
Esta abordagem consiste na existência de algum indicador, se não alguns, disponível para o Estado avaliar o nível de escolaridade e a qualidade do ensino em Angola, e desta forma comparar o melhoramento na performance dos alunos e do sistema em si. Esta abordagem é muito mais abrangente e, até certo ponto complexa.

2-      Estamos a investir no lugar certo?
Suponhamos que a eficiência do investimento em/na Educação, em Angola, é avaliada pelo número de escolas construídas (o que também é importante), é legítimo questionar, onde são construídas estas escolas. E qual é a necessidade social, real, da população de cada uma destas regiões? Será que as escolas são desenhadas (desenvolvidas: o que implica terem as condições todas exigidas para o melhor aproveitamento dos estudantes e dos professores) considerando fatores como a densidade populacional, o nível económico e social da população a volta? Considero pertinente olhar para estas questões porque, podemos cometer o pecado de estarmos a construir escolas em lugares onde realmente não seja necessário (vou ser crucificado por dizer isto porque o país todo necessita de mais escolas). O que eu considero aqui é a possibilidade existirem escolas de grande dimensão em regiões com pouca densidade populacional, escolas de pequena dimensão em regiões com grande densidade populacional, escolas com cursos técnicos e não só, em regiões a que não se aplicam (vou ser crucificado mais uma vez). O que quero dizer é, podem haver escolas de engenharia mecânica e de grande dimensão em regiões com forte potencial agrícola ou turístico, etc..). 
É óbvio que, o se não desta análise é que, isso pode levar a que maior parte do investimento na educação seja canalizada para a capital (Luanda) que aparenta ter a maior concentração da população mais jovem.

Importa deixar bem claro que, sem olhar para os dados a resposta a estas questões vai continuar a ser ambígua, e qualquer afirmação será uma mera especulação. Só os números nos podem ajudar a responder a estas perguntas.
Os números são os únicos que nos sabem explicar os verdadeiros desafios que o país tem.


Príncipe Zanguilo
Academia for Students




Comentários

  1. Muito obrigada pelo artigo, graças aos valores expostos pude perceber com mais precisão o reduto investimento que o governo Angolano tem até então feito no sector da educação. Não é de admirar que o mesmo ande as convulsões já algum tempo.
    Sou a favor de um investimento mais robusto naquele que é um dos órgãos vitais de qualquer sociedade, porque afinal de contas sem educação não há nada.

    Óptimo artigo Príncipe ,
    Parabéns

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