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Ricos? Não necessariamente


Desde mais pequenos fomos habituados a analisar o conceito riqueza de uma maneira muito rápida e superficial. E hoje (já bem crescidos), continuamos a usar o mesmo método para avaliar se somos ricos (tais ditos bosses) ou não. 

Imagine os seguintes cenários:

De um lado temos o individuo A que possui um BMW, uma casa no Mussulo e um jato particular. Em conjunto, esses 3 bens estão avaliados em 500 milhões de kwanzas (valor fictício). Do outro lado temos o individuo B que possui apenas um Kia Rio, e uma casa pequena no bairro Camama. O valor total dos bens do individuo B é de 5 milhões de kwanzas (também fictício). 

Se eu lhe pedisse para avaliar qual dos dois indivíduos é mais rico, qual deles escolherias?
Acredito que muitos de escolheriam o individuo A, porque ele possui bens de alto valor monetário em comparação com individuo B. 

Agora, se eu lhe dissesse que o individuo A tem uma divida bancaria de 502 milhões de kwanzas e que o individuo B apenas deve 500 mil kwanzas ao seu primo/a D.
Provavelmente, a sua resposta sobre quem é o mais rico mudaria muito rapidamente. Pois é, se analisarmos o valor total dos seus bens em comparação com as suas dividas chegaremos as seguintes conclusões:

Riqueza do indivíduo A = 500 milhões (valor total dos bens) – 502 milhões (Dívidas)
                                      = - 2 milhões

Riqueza do indivíduo B = 5 milhões (valor total dos bens) – 500 mil (Dívidas)
                                      = 4.5 milhões

De acordo com os cálculos, notamos que o individuo B tem uma riqueza líquida de 4.5 milhões enquanto que o A tem uma riqueza líquida de – 2 milhões. Em outras palavras, se o indivíduo B decidisse vender os seus bens para liquidar as suas dívidas, ele sobraria com 4.5 milhões de kwanzas no seu bolso. Por outro lado, o individuo A continuaria a ter uma dívida de 2 milhões de kwanzas, caso ele decida vender os seus 3 bens para pagar a sua divida bancária. Logo, podemos concluir que o individuo B é o mais rico em termos monetários. 


Portanto, é por essa e por outras razões que, devemos ser muito cautelosos e prudentes ao avaliarmos o conceito riqueza. E, tal como um dos meus professores dizia, “o primeiro passo para avaliar o tamanho da riqueza de um homem é analisar as suas dívidas”.

Por isso, antes de dizer que Angola é um país muito rico, que o tio X é “boss” ou que a empresa Z é rica, devemos primeiramente avaliar as suas dívidas em comparação com os seus bens.

Augusto António
Academia for Students

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