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Educar ou formatar


Como começar a falar em transformação, mudança ou revolução sem necessariamente cruzar com o campo da educação?

A saúde, a justiça acompanhada da educação geralmente são pilares que permitem que as sociedades funcionem bem, ou seja, permitem em simbiose que as sociedades funcionem mais para bem ou mais para mal. 

O termo educação se origina do latim, dos verbos educere e educare cujo sentido literal é “conduzir para fora”. O termo era utilizado no sentido de preparar as pessoas para o mundo e que permitisse as mesmas viverem em sociedade, isto é, conduzi-las para fora de si mesmas mostrando as diferenças que existem no mundo, sendo esta a definição etimológica da mesma.

Porém com as existências de tantos “self-made men” dos quais muito poucos receberam uma educação formal, autores como Napolean Hill advogam que a educação muito pouco tem a ver com o conhecimento específico ou genérico adquirido. Que um Homem verdadeiramente educado é aquele que é capaz de desenvolver as suas capacidades mentais de forma a que o mesmo possa obter qualquer coisa que ele queira, sem é claro recorrer a práticas antiéticas ou violar os direitos de outros. Em outras palavras o que se dá enfâse aqui é o engenho humano a organização do conhecimento que se tem a luz da sua retina, pois ao contrário do que se pensa, conhecimento não é poder, mais sim um poder em potencial que pode se materializar ou não. Sim ser realmente educado vai muito mais além do que se ter um diploma, e igualmente é um processo que transcende as paredes das universidades.

O que não faltam são definições para caracterizar a educação, portanto o leitor pode escolher a que mais vai de encontro com as suas convicções.

No seu ideal a educação deve ser um processo de vida, de construção e de experimentação. Porém cada vez mais queixas relacionadas a educação têm surgido, críticas diretamente relacionadas ao facto de parecer que, a universidade se está a desvincular da sua função mais tradicional e por conseguinte da sua função mais nobre que consiste na formação de homens e mulheres recheados de espírito livre e consciência crítica e não meros robôs intelectuais, alienados a um modelo considerado por muitos como asfixiante. Tal como Daniela araújo nos faz saber na sua tese de Mestrado.  

Verifica-se um certo descontentamento implementado pela educação, em que muitos não se identificam ora por ser um modelo que assenta muito na teoria e as vezes descura a prática, descura o savoir faire, queimando as pontes com a realidade onde muitos de nós não conseguem acomodar a teoria.

As expectativas frustradas são certamente um indicativo que o próprio sistema em si está em crise, embora uma moeda tenha sempre dois lados, e a falta de motivação, iniciativa e objetivos bem traçados decerto não é culpa do sistema educativo.

Então a pergunta que não quer calar é como um sistema que foi deliberadamente desenhado para atender ou dar resposta as massas vê, respeita e responde as idiossincrasias de cada individuo?

Como não fazer de cada individuo mais um no meio de muitos? Como não os percecionas como telas em branco, mas antes como parte de um processo dinâmico em que os mesmos não são meros consumidores bem como os docentes não são meros funcionário, mas antes entidades que se interinfluenciam e evoluem nesse processo continuo?

Como escapar da armadilha do monólogo pedagógico? 

Onde os alunos são recetáculos passivos em cuja atividade principal é a de memorização e reprodução do conhecimento acumulado ultrajando assim a ação de pensar e refletir e, por conseguinte, ultrajando o processo de criação.
Porquê que nos séculos dos séculos onde quase tudo pode estar a distância de um clique, lutamos para encontra a nossa identidade, a nossa expressividade logo dentro de um sistema que pela sua génese deveria e deve ser o mais liberal, o mais arrojado e na vanguarda da inovação, do revolvimento dos pensamentos criando por excelência diferentes posições epistemológicas.

Será realmente que aulas de 3h a 4h é a melhor forma de educar? Quando estudos de ciência cognitiva nos fazem saber que em geral os cérebros absorvem melhor se forem expostos a conteúdos mistos e acompanhados de contínuas pausas, e não ao entulhamento de matéria!

E Angola, como é que entra nessa história? Bem acredito que Angola pode beneficiar se enveredar por um ensino de proximidade que alimente a inovação, pois, temos um ensino que ainda é pouco maduro e, por conseguinte, podemos ser mais experimentais, pois, afinal de contas o que realmente vale Educar ou Formatar?

Ivani Luís
  Academia for Students


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