Um
papel, cortado e carimbado com algumas das principais paisagens do nosso país,
torna-se, por conseguinte, o papel mais popular e usado no território angolano.
Este é o kwanza (AOA), papel moeda da República de Angola, resultado das
reformas monetárias pós-independência e estabelecida como moeda oficial pela
Lei da Moeda Nacional, nº 71-A/76 de 11 de Novembro.
O
kwanza sintetiza o poder de compra da maior parte das famílias angolanas que
assistiram a sua deterioração com o início da crise financeira e cambial no
segundo semestre de 2014. Por este facto, é de extrema importância que o kwanza
ganhe poder, nos anos subsequentes, face as principais divisas transacionadas
no mercado internacional. Entretanto, importa referir que, com a valorização do
kwanza o poder de compras das famílias Angolanas voltará a se estabilizar tendo
com isso a possibilidade de mitigar as sequelas derivadas da crise financeira e
cambial.
A
teoria diz que um sistema financeiro entra em colapso quando a diferença entre
a taxa de câmbio oficial e a informal ultrapassa os 100%. No caso de Angola,
esta diferença ultrapassou em média os 150% entre o segundo semestre de 2015 e
janeiro de 2018. Em junho de 2016 o kwanza, no mercado informal, teve uma
desvalorização assustadora chegando a 720 kwanzas para cada 1 dólar. Este facto
foi consequência da fraca resposta a nível da oferta de divisas contra a
elevada procura por parte dos agentes económicos.
“Notar
que o câmbio informal é tido em conta porque uma parte significativa das famílias angolanas
vive do sector informal e com a dificuldade de divisas no sector formal (banca)
muitas empresas importadoras recorriam ao mercado paralelo, e estabeleciam os
seus preços com base a taxa de câmbio informal.”
Esta
desvalorização acarretou graves consequências no consumo dos Angolanos,
encarecendo o nível de vida quatro vezes mais, arrastando, por conseguinte, a
maior parte das famílias angolanas outrora consideradas classe media-baixa para
classe baixa, em outras palavras exterminou a classe media-baixa em Angola. Infelizmente,
até a data de publicação deste artigo, maior parte do que se come e veste em
angola é importado. Mas importa referir que, o novo governo resultado das
eleições de agosto de 2017, tem trabalhado afincadamente na promoção e
industrialização da economia angolana introduzindo um modelo de substituição das
importações. A aprovação da nova Lei da Concorrência, do Investimento Direto
Estrangeiro e o combate serrado a corrupção são passos importantes que
permitirão no médio-longo prazo um olhar diferente a economia angolana.
Então
a teoria económica não diz que um país ganha mais valia no comércio
internacional se desvalorizar a sua moeda?
Sim,
mas esta teoria é verificável apenas em alguns casos concretos fazendo referência
a uma economia grande aberta ao exterior, como por exemplos os EUA, China, UE. Uma
outra teoria económica denominada Teoria
do Grau de Abertura diz que “uma economia pequena aberta ao exterior, como
é o caso de Angola, tem ganhos de eficiência nulos com a desvalorização da sua
moeda”. Ou seja, com a desvalorização da moeda por um lado as exportações
aumentam traduzindo-se em ganhos de competitividade, e por outro lado a
desvalorização faz com o custo de importação aumente (as empresas passam a
pagar mais kwanzas para importar o mesmo produto) que deriva um aumento nos
preços dos bens importados para satisfazer o mercado interno (inflação) para
compensar os custos causados pela desvalorização do kwanza. Em outras palavras,
o aumento da competitividade é anulado pela inflação verificada no mercado
interno.
Por
fim digo que, o kwanza tem sobrevivido as tempestades que assolaram o nosso
sistema financeiro, e hoje é cada vez mais visível a expetativa positiva a volta da
moeda nacional fruto das reformas feitas pela nova administração do Banco
Nacional de Angola. Portanto, dou o meu benefício de dúvida e acredito que o kwanza
vai continuar a sobreviver as fases do ciclo económico que a economia angolana
atravessa.
Marcos Fernando
Academia for Students
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