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O Tradeoff entre o Investimento e a Dívida Pública Angolana


O atual quadro político e económico angolano, vem mostrar o quão a economia nacional encontra-se frágil, e traz à tona toda a poeira guardada de baixo do tapete durante 38 anos de governação.

Ao olhar para os desafios apresentados, percebe-se os esforços que devem ser feitos afim de alavancar a economia nacional. O novo governo angolano tem criado estratégias que chamam a atenção internacional e da sociedade, de modo a atrair investimento para o país. Será que essas estratégias podem resultar para um país que apresenta uma dívida pública estimada em mais de 70 mil milhões de dólares e que as agências de rating consideram como um default “lixo”?

No passado mês de outubro a secretaria de Estado para o Orçamento de Angola, Aia Eza da Silva, aquando da apresentação do Quadro Macroeconómico e os limites das Despesas para a Elaboração do OGE para o ano de 2019, relatou que o governo angolano estimou a dívida pública a volta dos 70 mil milhões de Dólares. Segundo O Banco de Desenvolvimento Africano, a dívida pública angolana encontra-se atualmente acima dos 60% do PIB, como mostra o gráfico abaixo;

Lembrar que, a divida pública pode ser definida como empréstimos contraídos por um governo às entidades financeiras ou pessoas da sociedade a fim de financiar parte dos seus gastos que não são cobertos pelos impostos arrecadados pelo Estado, para alcançar os seus objetivos traçados. Essa dívida pode ser interna, quando os empréstimos são feitos em bancos públicos ou privados do país e às famílias, e/ou externa, quando os empréstimos são feitos em instituições financeiras ou a governos de outros países. Em paralelo com a realidade angolana que se encontra em uma forte crise e com falta de divisas (dólares), vários são os empréstimos que o governo tem feito ao longo dos últimos anos a países como China, a título de exemplo.

O fraco crescimento económico, a escassez de divisas, a alta inflação acumulada que ronda os 15,44% (inflação acumulada, outubro 2018. Ver  BNA), são fatores que levam vários investidores a solicitarem uma notação financeira a uma das grandes agências de classificação de risco de crédito, a Moody’s. Esta, avalia o risco de não pagamento de dívidas de empresas, governos ou países nos prazos fixados. A sua classificação para a dívida angolana é B3, Default “lixo”. O que faz concluir que existe um alto risco de inadimplência. Isto leva a que os investidores considerem pouco atrativo investir em Angola.

Ora bem, respondendo a questão acima apresentada, acredito que o país poderá conseguir atenuar essa difícil situação se urgentemente, o governo primar por uma organização interna intensa, a partir do qual deverá procurar melhorar o controlo dos principais ativos do país, fazer uma fiscalização rígida à diversas fontes que permitem o Estado arrecadar receitas (isto é, através do imposto) e criar novas fontes de receitas ( inserção da economia informal na formal) de maneira a melhorar o défice publico, para que a dívida pública sofra uma ligeira pressão para baixo e consequentemente melhorar as expetativas dos investidores.  Também é importante definir os setores que precisam primordialmente de investimentos, de forma a clarificar quais os pontos da economia são necessários atacar para que o crescimento económico não seja muito moroso.

Percebo a dificuldade de implementação destas estratégias, mas é necessário iniciar a limpeza dessa poeira por algum lado.


Lendina Fernandes
Academia For Students  

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